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O Rock nos Tribunais

20 AGO 2017
20 de Agosto de 2017

Por Ivan da Luz

Seja pelo sucesso do Twisted Sister ou por sua bem sucedida carreira solo, Dee Snider também é admirado pelas atitudes de quem se atenta ao que acontece no mundo.

Recentemente proibiu que Donald Trump utilizasse o sucesso “We’re No Gonna Take It” em sua campanha política. Snider alegou que a letra da canção incentiva a liberdade de expressão, o que não combinava com o perfil do então candidato. A mesma canção, porém, foi regravada por Snider há poucos meses, ao piano, para ajudar a arrecadar fundos a uma organização que combate o câncer infantil.

Entretanto, quero contar outro episódio envolvendo esse roqueiro cidadão cheio de atitude!

Em 1984, um Comitê formado por esposas de senadores americanos foi à Justiça do país pedir maior controle nas vendas de discos de certos artistas. Liderado por Tipper Gore, esposa do senador Al Gore na época (sim, o mesmo se tornou vice de Clinton e o mesmo ativista ecológico que recebeu o Nobel há uns 10 anos), o Comitê queria proibir que a música de várias bandas de rock e alguns artistas fossem tocadas em emissoras de rádio e TVs, por supostamente conterem conteúdos pornográficos, violentos ou ocultistas. A lista incluía Twisted Sister, Black Sabbath, Frank Zappa, Motley Crue, Deff Leppard, Mercyfull Fate, AC/DC, Judas Priest, Madonna e Prince.

Músicos foram convidados a se defenderem num tribunal. Frank Zappa, John Denver e Dee Snider representaram os roqueiros. Em dado momento, Snider tomou à frente da discussão, vestido da mesma forma com que se apresentava em seus shows com o Twisted Sisters, e com linguagem culta de advogado, travou calorosas discussões com os presentes. Seu discurso em favor do rock é memorável. Veja alguns trechos de seu discurso:

“Meu nome é Dee Snider... Tenho 30 anos, casado, com um filho de 3 anos de... Cresci como um cristão e eu ainda creio nos mesmos princípios... Não fumo, não bebo, e não uso drogas.

Eu toco e componho as canções para uma banda de rock and roll chamada Twisted Sister... Me orgulho de escrever canções que sejam consistentes, seguindo minhas mencionadas crenças.

Sinto que acusações trazidas por esta Comissão são irresponsáveis, prejudiciais à nossa reputação, e caluniosas... A beleza da literatura, poesia e música é que eles deixam espaço para o público colocar a sua própria imaginação, experiências e sonhos em palavras.”

Quando Tipper Gore disse que a música "Under to Blade", (Sob A Lâmina), fazia apologia ao sadomasoquismo, Dee respondeu:

"A música mexe com a imaginação das pessoas e as faz pensar o que quiserem. Essa música fala sobre uma cirurgia na garganta de um integrante da banda, o meu guitarrista Eddie Ojeta e o medo que ele tinha dela. A Sra. Gore procurou sadomasoquismo na música e o encontrou. Quem procurar referências cirúrgicas também irá encontrá-las.”

A partir desses debates, o Comitê conseguiu criar selos de advertências a serem colados nas capas dos discos. Mas não conseguiram calar o rock n’ roll, que ficou livre das acusações, principalmente por causa da defesa que Snider fez em favor do rock.

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